começa
às três

ALBUM // OURA
o perfeito imperfeito

Era uma vez, e outra vez
E outra vez, sem uma vez

Era uma história por inventar
Sem narrador para começar

Começa agora, ou amanhã
E há até quem, não a veja já

Mas a peça começa às três
Se não a vês, não a vês

Ai! era um fado, já desfadado
Vestido e nu, o malcriado

Sem princípio, ou um final
Se acaba bem, começa mal

Faltam-lhe letras e a palavra
E tudo o resto, assim achava

Na teimosia, dos seus talvez
Começava a história outra vez

Era uma vez, e outra vez
Outra ou talvez, duas ou três

Era uma história por inventar
Que começou, sem começar 

Começou ontem, pela manhã
Hoje já não, a vejo já

Mas a peça começa às três
Se não a vês, não a vês

Ai! era um fado, desembalado
Há quem o diga, saiu sem lado

Sem princípio, ou um final
Cambaleando e coisa e tal

Falta-lhe o tempo, e a saudade
E cai de velho, na tenra idade

Na teimosia, dos seus porquês
Começava a história outra vez

E outra vez, era uma vez