a an(ã) rita e o andré gigante

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Um lugar de perfeitos defeitos a caminho da condição humana, o perfeito imperfeito, é também a pedra basilar do compromisso de pensar a música dentro dessa mesma fragilidade, ao encontro de diálogos onde poesia, sentimento, e entrega, se confrontam, procurando uma narrativa e expressão musical que a partir daí ganhe forma. Uma expressão que seja veículo da mensagem e da profundidade que lhe é inerente, mas também das atmosferas e histórias musicais que em contraponto animam a poesia, como se dela já não soubessem não o ser. É nesse intrincado, mas possível estreito, que este projecto surge, lugar da música onde se envolvem discurso e sentidos, algures entre a iminência do tempo, a inadiável saudade.
Procurando-se livre de uma ideia de estilo, tendência, ou interesses menores, o imperfeitamente perfeito, ganha forma em cada um, nas suas realidades, de verdades e mentiras, alegrias, tristezas, promessas e ambições, no caminho do sonho de um sonho melhor, e de um sonho possível no quadro da própria existência. Espontaneamente, foi assim nascendo um sentido de intervenção na índole do seu trajecto, não propriamente de instigação, mas de luta por um lugar interior que permanece incauto na vertigem, e na urgência dos dias, que é lutar pelo que ainda vale a pena lutar, lutar pelo direito a um legítimo aprofundamento do ser, à possibilidade de a vida trazer mais do que deveres, à possibilidade de navegar o intelecto rumo à nossa própria descoberta identitária. Direitos que se desejam universais em quem vive, contrariamente ao jogo de reflexos, regularizado pelo contexto onde aparecemos caídos.

O projecto ganha forma pelas mãos da An(ã) Rita e do André Gigante, num registo acústico e cru. A música é um lugar e uma energia, um lugar tão disponível a cada um de nós, que em cada qual se constrói à sua própria imagem.