rɘmaré
ALBUM // OURA
o perfeito imperfeito
Remaré, o pescador
Vem à frente tentada, pela proa levada, o levante, levante, que vem de perto, o distante
Remaré, o pescador
De repente na linha, todo o peixe sardinha, sem o mar o alvor, que não lhe amordaça a dor
Ele só queria, quase ir e não voltar, um pé em terra outro do mar
Como quem se ia, sem dormir, quase a sonhar, um pé em terra outro no ar
Remaré, o pescador
E à frente demente, como quase presente, em memória da história que inventou para se embalar
Remaré, ou rema a dor
E agora, demora, como um ano uma hora, vai de vez outra vez, que só passou, só por passar
E Ele só queria, quase ter, só para te dar, um mundo aberto para entrar
E Como quem se ia, sem correr, quase a andar, um mundo inteiro a caminhar
Remaré, o remador
Quando o sul for do norte, na deriva da sorte, horizonte ao largo, feito uma meta sem lugar
Remaré, o pescador
E outrora outra hora, já passou e agora, vai daqui vai embora, sem os segundos para brincar